At A Glance Author Irga Contact irgamiur@ig.com.br When Six months ago Artist myself Studio my home Location Sao Paulo - Brasil
Meu único piercing é um PA (Prince Albert), hoje com sete meses de idade. Desde o primeiro momento, sempre tive muito prazer em usá-lo, durante o sexo aumenta em muito as minhas sensações e parece que muito mais ainda para as mulheres com quem eventualmente tenho um relacionamento: uma delas o descreveu como "alucinante"...Se eu soubesse que um brinco na ponta do meu pênis seria tão delicioso e agradável, eu já o teria colocado uns 30 anos atrás. Eu mesmo o fiz, e só vim a ter um pequeno problema com ele duas semanas atrás (por minha própria culpa), mas felizmente já está tudo solucionado.
Mas vamos partir do início, pois entre ver a primeira foto de um piercing genital e finalmente colocar o meu, um bocado de tempo se passou. E que fique claro que não recomendo a ninguém tentar fazer um PA em si mesmo: a minha experiência foi bem sucedida, mas... poderia não ter sido. Se precisasse de ajuda, não teria a quem recorrer.
Sou Brasileiro, de São Paulo, tenho 48 anos, viúvo, moro sozinho com minha filha de 12 anos. Tive contato com fotos de piercings genitais pela internet por volta de 1997, e fiquei fascinado pela sua beleza e erotismo. Eu e minha falecida esposa ficamos interessados e chegamos a procurar um estúdio para obter informações: eu pretendia fazer um no freio do pênis (frenum), e ela no prepúcio do clitóris (vertical hood). Mas ela infelizmente veio a falecer em 1.999 e a idéia foi deixada de lado por algum tempo. Mas continuei fascinado por piercings genitais e continuei a procurar fotos e informações na internet.
Por volta de 2003, tendo já havia colecionado centenas de fotos e dezenas de vídeos de homens e mulheres com piercings, a minha vontade de ter um piercing genital sempre crescendo, mas eu tinha muitas dúvidas. Aumentaria meu prazer sexual? E o da minha eventual parceira? O quanto doeria colocar um piercing no pênis? Quanto tempo demoraria para cicatrizar? Quais as vantagens e desvantagens? Quais os riscos? Comecei então a também coletar informações sobre como são feitos os diversos tipos de piercing, como devem ser tratados e cuidados. Também passei a ler todos os relatos que encontrava de pessoas que haviam colocado piercings. O piercing no freio, que a princípio havia me parecido menos assustador e mais rápido para cicatrizar, vim a saber que não cicatriza tão rápido quanto imaginava, é incômodo para sexo anal e é mais estético do que prazeroso.
No final de 2003 finalmente decidi-me. Resolvi colocar um PA, que cicatriza mais rápido, não atrapalha e dá mais prazer para todos. Talvez doesse um pouco mais para fazer, mas além das vantagens já citadas tinha uma aparência mais erótica e "radical". Mas a idéia de ir a um estúdio para colocá-lo me parecia muito fria e profissional, e também queria sentir e controlar cada etapa do processo, e acabei resolvendo eu mesmo colocá-lo. Re-li alguns artigos sobre a colocação e cuidados a serem tomados. Com base nos inúmeros artigos que li, optei por uma jóia em aço inox cirúrgico, em forma de ferradura (CBR), para o caso de eventualmente resolver tirá-lo por alguns momentos. O diâmetro escolhido foi de 19 mm, para não ficar apertado durante uma ereção; e com seção de 2,4 mm (gauge 12), para evitar rejeição, ser confortável e mais rápido para cicatrizar. Comecei a procurar onde poderia adquirir a jóia e a agulha adequada, e percebi que não seria fácil. Mesmo morando na maior cidade do país, é raríssimo encontrar jóias com dimensões sequer parecidas com a que eu desejava. Agulhas compatíveis nem pensar, ninguém as têm.
Em meados de maio de 2004, depois de muita procura, descobri o estúdio do André Meyer (www.piercing.art.br), que tinha jóia que eu desejava. Troquei algumas idéias com ele, deixando-o admirado com a minha pretensão de eu mesmo fazer a perfuração e colocar o brinco. Comprei a jóia que eu desejava e o cateter que ele me disse ser adequado para a perfuração. No dia seguinte, comprei o restante do material necessário: luvas cirúrgicas, anti-sépticos, etc. No final de semana, obtive um pedaço de tubo de aço inox com o diâmetro adequado e fabriquei o tubo receptor que teria de usar.
No final de semana seguinte, "despachei" minha filha para passar o final de semana na casa de minha enteada e no sábado preparei o "circo": forrei minha cama com um lençol de papel esterilizada e dispus todo o material em volta, de forma que tudo ficasse ao alcance de minhas mãos.
Não dispondo de uma autoclave, tive que improvisar utilizando uma panela de pressão, conforme as instruções que encontrei no Deviant's Dictionary Factsheet. Tomei banho com sabonete bactericida, sequei-me e fui para minha "cama cirúrgica". O tempo de preparação demorou umas 3 horas, as 3 horas mais ansiosas de minha vida.
Acomodei-me confortavelmente, recostado na cabeceira da cama, meio sentado meio deitado. Coloquei as luvas cirúrgicas, passei o corpo do meu pênis através de um orifício feito em uma toalha de papel esterilizada, desinfetei meu pênis com os anti-sépticos adequados, e parei um pouco para respirar. Estava muito nervoso, meu coração parecendo uma metralhadora dentro do meu peito. Respirei profundamente e procurei relaxar até meus batimentos cardíacos voltarem a níveis aceitáveis e minhas mãos pararem de tremer.
Desembalei e deixei o cateter à mão, e usando KY-gel posicionei o tubo receptor em minha uretra. Em muitos relatos vi descrito que a inserção do tubo receptor é bastante dolorosa e/ou desagradável, mas não foi o que senti. Achei a sensação bastante gostosa. Peguei o cateter e comecei a fazer a perfuração. Não estava usando nenhum tipo de anestésico, eu queria perceber todas as sensações da colocação do piercing. Senti a ponta da agulha trespassar a carne do meu pênis e entrar no tubo receptor, e surpreendentemente, a dor não foi tão intensa como eu havia imaginado. Mas o cateter recusou-se a continuar entrando, eu não conseguia fazer o tubo externo do cateter entrar também. Quando fui tentar segurá-lo de forma a poder exercer uma pressão maior para inserí-lo... MERDA! Tanto o tubo receptor como o cateter escorregaram e escaparam de minhas mãos devido ao KY-gel, e o resultado foi um esguicho de sangue em cima de mim e de parte da cama. Pressionei o local com gaze esterilizada e logo a hemorragia cessou. Limpei a sujeira, guardei tudo, e comecei a observar mais atentamente o cateter e o brinco. Só então percebi que o diâmetro do cateter era muito inferior ao do brinco. A jóia jamais entraria na perfuração feita por aquele cateter, pois ele tinha apenas 1,3 mm (16 ga) e o brinco tinha 2,4 mm (12 ga). Liguei para o estúdio do André Meyer, fui atendido por uma deliciosa voz feminina e perguntei a respeito. Fui então informado que no Brasil não existem à venda agulhas apropriadas para piercings acima de 16 ga, e nesses casos, após usar o cateter para fazer a perfuração, deve-se em seguida ser usado um alargador para chegar-se à medida desejada.
Bem, qualquer um pode facilmente imaginar o quanto deve doer usar um alargador para literalmente rasgar uma perfuração de 1,3 mm até ela atingir 2,4 mm de diâmetro. Não, o caminho não é esse. Se existem agulhas apropriadas, são agulhas apropriadas que eu vou usar. Mas primeiro, é necessário esperar cicatrizar totalmente a perfuração mal sucedida.
No final de junho, sofri um acidente de moto e fiquei 5 dias internado em um hospital, com 3 fraturas no tornozelo direito. O resultado foi uma placa com 6 parafusos em minha fíbula e mais 3 pinos em outros ossos do tornozelo. Se queria um piercing, agora tinha nada menos que 9 piercings - ósseos. Nada mal para um principiante...
Passei 2 meses com o pé enfiado em uma bota ortopédica e andando apenas o mínimo essencial, com o auxílio de um par de muletas. Aproveitei o tempo para procurar na internet onde poderia adquirir as agulhas necessárias. As lojas especializadas não tinham grande interesse em vender apenas 1 agulha, então comecei a me cadastrar em todas os grupos sobre piercing que pude encontrar, sempre perguntando se alguém poderia me fornecer a agulha desejada.
Em Julho de 2004 recebi um e-mail, alguém dizia que tinha sobrando 2 agulhas na medida que eu desejava ainda na embalagem original esterilizada, e poderia vendê-las a mim por um preço simbólico. Aceitei imediatamente, e agradeço imensamente a John The Wand Man (www.princeswand.com) por ter enviado prontamente as agulhas - algum dia espero ter dinheiro suficiente para poder comprar um dos Prince Wand que ele fabrica.
Fiquei exultante quando recebi as agulhas pelo correio, e comentei o que pretendia fazer com minha namorada, mas ela foi totalmente contrária à idéia. Tentei convencê-la, mas sem sucesso. As agulhas foram para uma gaveta, juntamente com a idéia do piercing.
Mas eu estava determinado a fazer aquele piercing. Em meados de Julho de 2005 eu terminei o namoro e no final de semana seguinte novamente convenci minha filha a ir dormir na casa de minha enteada e no sábado o "circo" estava novamente armado na minha cama. Mais uma vez havia uma metralhadora em meu peito e minhas mãos tremiam. Controlei a respiração e consegui relaxar rapidamente, afinal já tinha uma boa idéia do que me esperava. Coloquei as luvas cirúrgicas, fiz a assepsia necessária, posicionei o tubo receptor (desta vez nada de KY, apenas soro fisiológico) e desembalei a agulha. Meu coração disparou novamente, mas desta vez não parecia apenas uma metralhadora. Parecia mais com um canhão antiaéreo. Eu sentia os batimentos cardíacos tão fortes em minhas têmporas, que chegavam a causar pequenas alterações visuais. Comecei a suar em profusão. A agulha de 2,5 mm (3/32") era simplesmente assustadora. Passei uns bons cinco minutos controlando a respiração até conseguir me acalmar o suficiente para continuar.
Re-posicionei o tubo receptor e comecei a inserir a agulha lentamente no local desejado, e desta vez ela entrou praticamente sem problemas, embora com muito mais dor e soltei um grunhido. Quando a parte biselada esta quase no final, a pele do prepúcio entrou pelo orifício da agulho, impedindo o avanço, mas foi simples esticar e pele e liberar a entrada da agulha. Logo em seguida, o segundo percalço: a parte tubular lisa da agulha começou a aderir nas paredes da perfuração, pois não havia sido previamente lubrificada. Tomei coragem e dei um forte empurrão na mesma. Soltei um grito e ela entrou quase toda, sobrando apenas 5 mm para fora. Doeu bastante, mas nada que não fosse suportável. Lembrei-me que senti muito mais dor num dia em que prendi a pele do meu pênis no zipper da braguilha, e então relaxei. Para dizer a verdade, eu VIAJEI.
A combinação da adrenalina liberada em minha corrente sanguínea devido à ansiedade e tensão, combinada com toda a dopamina liberada devido à dor, tornou-se uma mistura embriagante. Fiquei mais "alto" do que na única vez em que experimentei maconha, Lá pelos meus 30 anos. Com a diferença que fiz uma "má" viagem com a maconha e uma "boa"viagem com o piercing. Eu me sentia tonto, parecia que o quarto balançava e eu flutuava com a cama. Sentia meus braços e pernas pesados, todos os meus movimentos pareciam lentos e estranhos, como se eu fosse feito de borracha e estivesse me movimentando embaixo d'água. Permaneci recostado nos travesseiros, fitando a agulha atravessada em meu pênis, entrando por baixo da glande e saindo pela uretra – a essas alturas o tubo receptor já havia escapado de minha mão há muito tempo.
Passei mais de meia hora nesse estado de torpor, controlando a respiração e procurando manter-me alerta e de olhos abertos, pois tinha a nítida impressão de se fechasse os olhos eu iria desmaiar. Quando finalmente consegui me recompor, percebi que, desde o momento em que havia acabado de enfiar a agulha, eu não senti mais dor alguma. A agulha estava lá, atravessada em meu pênis, meu cérebro dizia que deveria haver dor, mas não a detectava. Toquei a agulha, mexi, virei, mas não havia dor alguma. Lubrifiquei cuidadosamente com KY-gel a porção da agulha que não havia entrado bem como a ponta do brinco. Recoloquei o tubo receptor e usando a agulha como guia inseri o brinco na perfuração. Senti um mínimo de dor quando a rosca do brinco passou pela minha carne, mas nada que sequer merecesse um gemido. Nem uma gota de sangue. Rosqueei a esfera do brinco, levantei-me, guardei tudo em seu devido lugar, e fui para a cozinha tomar um café. E veio a primeira vontade de urinar. Fiquei preocupado, sentei no vaso sanitário esperando algo parecido com "fogo líquido" passar por minha uretra, mas o ardor foi mínimo, quase inexistente. As primeiras gotas de urina saíram misturadas com um pouco de sangue, mas logo passou a jorrar límpida. Lavei-me com sabonete bactericida e fui para o sofá da sala: "desembrulhei" o "brinquedo novo" e passei muito tempo admirando minha obra. Finalmente estava feito, eu estava exultante. O resto da tarde fiquei andando nu pela casa, admirando aquele pedaço de metal brilhante que a partir daquela data passou a fazer parte integrante do meu corpo. Era o dia 23/07/05.
Preparei-me para possíveis sangramentos à noite e nos dias subseqüentes, mas tal não ocorreu. No dia em que fiz o piercing, antes de dormir enrolei meu pênis em gaze e coloquei um preservativo para segurá-la no lugar. Na manhã seguinte ao desfazer a bandagem encontrei uma mancha de sangue pequena, do tamanho de uma moeda de 1 centavo. Durante o dia quase não houve dor, e o sangramento foi mínimo. Na segunda noite novamente fiz um pseudocurativo, e na manhã seguinte encontrei apenas umas poucas gotas de sangue na gaze. A partir do terceiro dia nem dor e nem sangue.
Segui todos os procedimentos de higiene recomendados não tive nenhum problema de infecção. Mas depois de alguns dias, aprendi uma coisa muito importante, que não havia sido mencionada em nenhum site: jamais deixe sua jóia bater em algo sólido. A sensação parecida com uma descarga de alta voltagem em sua uretra.
Em 3 semanas o local parecia já perfeitamente cicatrizado, e voltei a me masturbar. Nenhum problema, só prazer. Muito mais prazer que anteriormente. Mais duas semanas e fiz sexo com uma nova namorada, novamente sem problemas, e com prazer muito maior para ambos. As sensações eram incríveis. Em breve re-aprendi a urinar em pé sem gotejamentos incômodos.
Fiquei extremamente feliz com o resultado. Nenhuma seqüela ou complicação, nenhum "vazamento" ao urinar, prazer aos montes, visualmente bonito e excitante. Como não sou circuncidado, comecei a pensar em colocar outro PA do outro lado do freio do meu prepúcio, mas ainda era muito cedo. Estava fazendo sexo aos montes nos finais de semana e masturbando-me com freqüência nos outros dias. As sensações eram novas e deliciosas.
Três meses depois de colocado o piercing, percebi que ao urinar algumas gotas sempre vazavam pela perfuração. Observando com mais atenção, vi que o orifício havia naturalmente se alargado, podendo facilmente acomodar um brinco mais grosso. Através do irmão de minha namorada, que é tatuador, consegui sem dificuldade um CBR 6 ga (4,1 mm) e coloqueio-o sem dificuldade. Novo incremento nas sensações, devido ao maior peso da jóia.
Passado mais algum tempo, já em janeiro de 2006, percebi que o orifício havia novamente se alargado espontaneamente. Sem dificuldade coloquei também no mesmo orifício o brinco antigo e o novo que, segundo meus cálculos, equivaleria uma jóia 4 ga (5,2 mm). Cheguei à conclusão que sexo e masturbação são os melhores meios para alargar um piercing, devido ao movimento. Passei a usar e abusar para alargá-lo ainda mais, e em final de fevereiro eu já conseguia acomodar sem problema 2 brincos 6 ga ao mesmo tempo ou um tubo de inox com 6,5 mm de diâmetro, o que seria equivalente a uma jóia 2 ga (1/4").
Foi aí que surgiu um pequeno problema. Não sei dizer ao certo o que causou, se foi algum descuido com a higiene ou se foi por que tanto o segundo brinco como o tubo de inox não eram de material adequado (o primeiro era cromado e o segundo de inox não cirúrgico), mas o fato é que a borda do orifício adquiriu uma cor esbranquiçada, parecendo inflamada, a glande no local próximo ao brinco ficou avermelhada e um pouco dolorida, começou a sair uma secreção amarelada pela uretra, indicando infecção. Tirando o brinco, vi que dentro do orifício haviam algumas bolinhas brancas, parecendo pus. Tomei antibiótico (amoxicilina) durante 10 dias e tratei o local com Bepantol pomada, e a infecção desapareceu. O tratamento foi feito com o piercing no lugar, e no momento (meados de março de 2006) tudo está novamente em ordem, exceto por um pequeno detalhe: o orifício, após o tratamento, voltou a ficar justo no brinco novamente. Espero que volte a alargar-se espontaneamente outra vez, pois já estou encomendando um CBR 2 ga.